#109

“Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.”
João 12:24

A tragédia desta semana pesa sobre todos. Podemos tentar mudar de assunto, focar em política, no futebol, nos afazeres do dia-dia, mas a morte precipitada de jogadores, comissão técnica, jornalistas, líderes e funcionários de aviação ronda os pensamentos de todos os brasileiros. E como uma sombra estes pensamentos nos acompanham nas veredas de nossas rotinas.

“Há tempo para nascer e tempo para morrer” diz o sábio de Eclesiastes. Enquanto o nascimento irrompe em choro e gritos de alegria, a morte introduz o silêncio.

Morte traz silêncio.

Esta semana fomos confrontados mais uma vez com a fragilidade da vida. Enquanto a tendência da humanidade é buscar motivos –técnicos ou teológicos– do porquê disto ter acontecido, o que resta no fim do dia é apenas o silêncio. Podemos entender as causas do acidente, podemos recapitular os textos bíblicos que falam sobre vida e morte, podemos chorar, lamentar, compadecermo-nos, mas quando apagamos a luz e deitamos em nossos leitos o que nos resta é o silêncio. Principalmente para os membros das famílias que perderam entes queridos no vôo, mas também para nós, em em outras circunstâncias: o que permanece é o silêncio.

Talvez seja justamente por isto que Paulo, quando escreve aos Tessalonicenses a respeito da morte, enfatiza a quebra do silêncio em três etapas. Três é um número peculiar. Um número na Bíblia que significa a morte completa. Jonas fica 3 dias na barriga de um grande peixe, Lazaro estava morto por 3 dias antes de Jesus aparecer no quarto dia, e o próprio Cristo fica debaixo da terra por 3 dias antes de ressurgir. Paulo escreve: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.” (1 Tessalonicenses 4:16)

A única maneira do silêncio da morte ser quebrado é pelo som da ação do DEUS que gera vida: alarido, voz, e trombeta. O ritmo de três da morte é quebrado pelo ritmo de três da vida. A esperança do Novo Testamento não é a imortalidade da alma, mas sim, a expectativa de que, de fato, no último dia, como Cristo, os mortos que nEle morreram se levantarão primeiro. A esperança do Novo Testamento –a esperança da Bíblia!– é que o silencio que a morte inaugura não é eterno; que o inverno da morte será desfeito pela primavera da vida, no último dia. E devemos consolar uns aos outros, afirma Paulo, com esta expectativa. Porém entre aqui e lá, o que nos resta ainda é o silencio.

Nós, a Terceira Margem do Rio, estendemos nossos sinceros sentimentos aos familiares de todos que faleceram no acidente dessa semana. E, junto com vocês, aguardamos o dia em que o silêncio da morte será quebrado pelo som da vida. Pelo alarido, pela voz, e pela trombeta.